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Projetos de pesquisa

Para consultar os projetos de pesquisa em andamento, escolha abaixo o coordenador, dentre os docentes que integram o Programa de Pós-graduação em Filosofia da UFF.

Coordenador     Ver histórico

Ascese e Mística nos inícios do monasticismo cristão

Início: 2019

Ocorre no século IV d.c. e inícios do V d.c. a consolidação de um movimento singular e radical para a história do cristianismo: o surgimento do monasticismo. Com ele, a enigmática figura do monge asceta desponta como uma nova identidade cristã, com suas regras de conduta e valores, centradas nas práticas ascéticas. A partir desta nova identidade, são também criadas novas identidades sociais e eclesiásticas, gerando uma força político-social que terá profundas influências em nossa história. Suas práticas ascéticas teriam como objetivo produzir a salvação através da pureza de coração, sendo esta a expressão da proximidade de Deus nas vidas destes monges. Neste sentido, é inegável que o ascetismo monástico está estreitamente vinculado à mística cristã, entendendo esta última como a experiência da presença da divindade nas vidas dos crentes. A mística passa, então, a ter forte influencia do movimento monástico em toda a história do cristianismo, mesmo que ela possa ser identificada em diversos outros estratos da vida cristã. Com isso, é praticamente impossível desassociar ascese e mística no monasticismo, gerando um objetivo duplo nesta pesquisa, isto é a ascese e a mística em suas relações e diferenças, centradas nas práticas ascéticas dos monges nos séculos IV d.c. a V d.c.

Frege e a concepção deflacionista da verdade

Início: 2019

O meu projeto de longo prazo, que se deriva da minha habilitação, consiste na reconstrução e avaliação crítica da concepção Fregeana da verdade. O presente projeto faz parte deste projeto, focando na questão do relacionamento da concepção Fregeana com a concepção deflacionista da verdade, de acordo com a qual verdade é um conceito trivial que não tem nenhuma função substancial na ciência. O motivo é que a concepção Fregeana parece ser incoerente, porque contém tanto elementos deflacionistas como elementos substancialistas. Na literatura, ainda não existe uma investigação sistemática sobre este problema. A hipótese central do projeto é que a aparente incoerência pode ser resolvida levando em conta que Frege não considera o adjetivo ‘verdadeiro’, mas a ‘forma da sentença assertórica’, como o principal operador de verdade.

Materialismo sagrado

Início: 2019

Partindo da concepção aristotélica de “matéria” (hýle), ligada às noções de “indeterminação”, “potência”, “subjacente”,“proveniência e destino de toda geração e corrupção”, o presente projeto pretende questionar a subordinação que o estagirita estabelece desse conceito relativamente ao conceitode “forma” e, consequentemente, o enquadramento que ele faz dos filósofos pré-socráticos, esses “materialistas” por excelência. O próprio texto aristotélico apresenta exposições de opiniões alheias e argumentos (p.ex. Física II5-8, Metafísica IV4-8) que, embora não encontrem o endosso de seu autor, permitem conceber o materialismo como ontologia plena e não marcada pelo signo da insuficiência. Se o princípio material é concebido como vivo e divino, como é o caso do ápeiron de Anaximandro e talvez da maior parte dos princípios dos demais fisiólogos, e não apenas como passivo e inerte, então parece não ser necessário reclamar por causas eficientes, formais e finais extrínsecas à própria matéria. Interessante também ao presente projeto serão os textos e argumentos produzidos no período posterior a Aristóteles que caminhem no sentido de uma concepção hilozoísta, semelhante à pré-socrática, como a da filosofia estoica, que, embora postule dois princípios, a matéria (hýle) e a razão na matéria (logos en te(i) hýle(i)), pode ser considerada um monismo qualificado, pelo fato de o segundo princípio ser inerente ao primeiro. O fato de esse lógos ser entendido como a presença de deus ou demiurgo na matéria sugere que o páthos diante de tal concepção não seja o do orgulho positivista,como sói ocorrer diante de muitos autoproclamados materialismos ao longo da história da filosofia, mas o de certa reverência diante de certo sagrado.

Rumos do ceticismo moderno

Início: 2019

Richard Popkin mostrou em sua História do Ceticismo de Erasmo a Spinoza (2000, capítulo 2) que a retomada do ceticismo antigo no período moderno foi uma das forças propulsoras da formação do pensamento moderno. Essa retomada leva, por sua vez, à formulação de um ceticismo moderno com características bem distintas do antigo. A interpretação da transmissão e recepção do ceticismo é central para o entendimento do conceito de ceticismo moderno e da própria modernidade em suas várias dimensões, histórica, epistemológica, político-jurídica e teológica.

Esse projeto consiste no exame desse processo e na análise dessas distinções. Com base nesse exame histórico discutiremos se o ceticismo ainda pode ser uma filosofia viável e relevante para o pensamento contemporâneo.

Dentre os vários aspectos do ceticismo moderno, a dúvida tem sido considerada uma das características mais centrais, pode-se dizer mesmo definidora.  O ponto de partida é um contraste inicial entre dúvida moderna e existência ou não de “dúvida” no pensamento antigo. Nossa hipótese é a de que apesar de ser encontrada em outros pensadores, a “dúvida” é sempre referida à filosofia de Descartes.

Chamo de “paradoxo de Descartes” o fato de que embora um adversário declarado dos céticos, Descartes acabou por ser considerado o formulador de um ceticismo entendido por muitos como irrefutável, sobretudo devido à sua formulação da dúvida. Discutiremos, portanto, as diferentes e mesmo antagônicas interpretações da dúvida cartesiana, levando em conta seus desdobramentos posteriores.

A recepção da dúvida cartesiana e seus desdobramentos em argumentos posteriores como “outras mentes” e “a existência do mundo externo” serão examinados nesse sentido.

Schiller, leitor de Kant: o corpo e os afetos

Início: 2019

O objetivo principal dessa pesquisa consiste em determinar com maior precisão o legado da doutrina kantiana sobre o pensamento de Schiller acerca do corpo e dos afetos especialmente na primeira fase de sua produção teórica, a saber, nos artigos publicados na Neue Thalia. A hipótese fundamental, a ser verificada ao longo do trabalho, é a de que, operando dentro do quadro categorial do sistema transcendental, o pensador introduz deslocamentos significativos no modo como o filósofo de Königsberg concebia a articulação desses dois conceitos às suas considerações acerca da experiência estética. Em particular, trata-se de verificar de que modo tais deslocamentos respondem à necessidade de cumprir o principal objetivo proposto pelos estudos schilerianos desse período, a saber, compreender a natureza e os fundamentos da tragédia.

A natureza dos operadores lógicos nos Syncategoreumata de Pedro Hispano

Início: 2018

A pesquisa que ora propomos versará sobre as propriedades lógico-semânticas das expressões sincategoremáticas ‘não’, ‘e’, ‘ou’, ‘se … então …’ e ‘todo’ que nos Syncategoreumata de Pedro Hispano coincidem ao menos em parte com os conectivos e quantificadores da lógica clássica de primeira ordem. Dois são os objetivos que norteiam essa investigação: (i) esclarecer de que modo a natureza dos operadores lógicos acima mencionados é determinada nos Syncategoreumata e (ii) identificar, expor e avaliar as diferentes espécies de negação, conjunção, disjunção, implicação e quantificação universal de que Pedro Hispano se vale para expressá-los. Embora as concepções modernas de constante lógica correspondam sob certos aspectos às noções medievais de sincategorema, há entre elas diferenças muito significativas. Para especificar os fatores que nos Syncategoreumata motivam tais diferenças, cumpre de início recuperar a noção de sincategorema fixada por Pedro Hispano e, em seguida, contrastá-la com as principais concepções contemporâneas sobre a natureza das constantes lógicas. Na investigação aqui proposta, sustentaremos que os sincategoremas são por Pedro Hispano concebidos não como termos cujo arranjo gera uma estrutura em função da qual uma proposição se segue logicamente de outra, mas como expressões capazes de articular os componentes de uma proposição e fornecer as condições de verdade que especificam a sua forma lógica. Subsequentemente, buscaremos determinar de que maneira Pedro Hispano interpreta os operadores lógicos em questão. Para tanto, argumentaremos que (i) ‘non’ admite uma leitura clássica que requer o conceito de contradição e uma leitura paraconsistente que se serve do conceito de contrariedade; (ii) ‘et’ manifesta-se como uma conjunção extensional ou temporal; (iii) ‘vel’ pode ser expressa como uma disjunção exclusiva verofuncional ou como uma disjunção dinâmica não verofuncional; (iv) ‘si’ comporta-se ora como uma variante fraca da implicação conexiva, ora como uma variante temporalmente indexada da implicação estrita; (v) ‘omnis’ e ‘totus’ são sinais de quantidade que significam disposições dos sujeitos cujos predicados deles mereologicamente se predicam. Acreditamos que a realização dessa pesquisa se justifica na medida em que ela ampliará nosso conhecimento até agora incipiente da lógica proposicional na Idade Média e elucidará alguns aspectos fundamentais da teoria medieval da quantificação.

A phýsis em Sexto Empírico

Início: 2018

Pretendemos investigar os usos feitos por Sexto Empírico da noção de phýsis (natureza), nas Hipotiposes Pirrônicas e no Contra os Matemáticos. Para a apresentação do projeto, utilizaremos como texto base o livro 1, cap. 1-14, das Hipotiposes. A natureza, em primeiro lugar, ali aparece em complementaridade com a lei e os costumes, como condutora da vida; em seguida, Sexto aplica sua crítica à visão de uma Natureza regente, criadora e garantidora da percepção humana de mundo; por último, abordaremos seu questionamento em torno dos conceitos de “natural” (katà phýsin) e “antinatural” (parà phýsin), isto é, veremos em que medida essas categorias podem ser arbitrárias ou carentes de fundamento. Esta primeira apresentação pretende justificar a importância de aprofundar o tema na obra de Sexto como um todo.

A relação entre ética e ontologia na filosofia de Gilles Deleuze

Início: 2018

Certa vez, Deleuze (1990, p. 185) disse que, em sua filosofia, tudo tendia para uma “grande identidade Espinosa-Nietzsche”. O mesmo se aplica ao que se poderia chamar de uma ontologia e de uma ética deleuzianas. Todavia, que exista uma ética e uma ontologia em Deleuze já é um enunciado que exige demonstração. Em trabalho anterior, fez-se um esforço no sentido de dar consistência à primeira metade deste enunciado: há uma ética em Deleuze e ela se define pela fórmula “um corpo que avalia e experimenta” (Barbosa, 2012). Na presente pesquisa, pretende-se tratar da segunda metade do enunciado, a partir de duas hipóteses: há uma ontologia em Deleuze e, além disso, ela é inseparável da ética deleuziana. É em função desta segunda hipótese que se justifica a opção por tomar como fio condutor da pesquisa as leituras que Deleuze faz de Espinosa e Nietzsche, visto que são estes os dois autores que mais o inspiram em sua ética, sem que se desconheça, no entanto, a grande influência de outros pensadores em sua ontologia, como Bergson, por exemplo. Tampouco se ignora que um dos maiores comentadores de Deleuze, a saber, Zourabichvili (2004, pp. 6-10), tenha recusado veementemente que haja uma ontologia em Deleuze, admitindo, no máximo, uma “ontologia evanescente”, subvertida ou, compreendida como doutrina do ser, conduzida à autoabolição. Nossa hipótese, no entanto, é que há ontologia em Deleuze, sem que, de fato, se trate de uma doutrina do ser. Esta ontologia, a ser explorada em detalhe, é ademais indiscernível da ética em Deleuze: não apenas a ontologia é a condição incondicionada da ética, o que já se nota em Espinosa, como também a ética seria a condição prática da ontologia, novidade que Deleuze traz à tradição inaugurada por Espinosa – este sendo o primeiro filósofo, segundo o próprio Deleuze, a considerar a ética um correlato da ontologia.

A tragédia como forma: entre a teoria e o drama

Início: 2018

Intimamente relacionado ao meu projeto de pesquisa anterior, intitulado O trágico como princípio de contradição: a semântica do amor, da guerra e da harmonia na aurora do pensamento grego, este projeto de pesquisa apresenta-se como seu desdobramento necessário e mais imediato, uma vez que se dedica a avaliar e considerar a expressão do trágico na sua forma mais clássica e propriamente dramática: a tragédia.

A tragédia como forma dramática da antiga poesia grega, seu aparecimento visual e cênico sob a forma original do théatron, é filha desses mesmos tempo e  ideário e revela não só participar desse mesmo códice e regimento de linguagem como ser, possivelmente, a sua forma mais eloquente e maturada. O presente projeto visa a verificar nos textos poéticos da tragédia ática a presença desse elemento de contradição do qual a tragédia seria a expressão máxima. Com isto, a análise das tragédias de Ésquilo, Sófocles e Eurípides constituem o material que complementa o conjunto de textos que cobrem o período trágico que ambos os projetos abrangem.

A tragédia e o trágico em Nietzsche e em Hölderlin

Início: 2018

O projeto ora proposto pretende dar continuidade à pesquisa anterior, “A singularidade do trágico-dionisíaco e a crítica da cultura no jovem Nietzsche”, a partir do exame da relação entre Nietzsche e Hölderlin.

Biopolítica e governo de si em Michel Foucault

Início: 2018

O projeto Biopolítica e governo de si em Michel Foucault propõe o exame da importância da noção de governo para a constituição das últimas investigações de Foucault sobre governo de si como modo de resistência às estratégias do poder disciplinar e da biopolítica.

Crítica ao naturalismo e teleologia na fenomenologia de Husserl

Início: 2018

O presente projeto aborda a crítica de Husserl à doutrina do naturalismo. Relaciona a referida crítica nas origens da fenomenologia com o período das reflexões sobre a crise do homem europeu. Mais precisamente, o projeto investiga a hipótese de que haveria uma inseparabilidade entre o realismo filosoficamente ingênuo das ciências positivas (adotado pelas ciências naturais, bem como pelas ciências humanas) e a ingenuidade perigosa de tais ciências (cujos reflexos se fazem notar na formação da humanidade europeia, na primeira metade do século XX). Tal hipótese nos permitiria, enfim, elucidar o ímpeto da crítica de Husserl ao naturalismo, revelando-nos a ideia de uma “teleologia oculta” da referida humanidade. A análise de tal teleologia nos revelaria, por sua vez, outras camadas teleológicas, conduzindo-nos, enfim, para uma teleologia mais originária, própria das vivências intencionais. O começo e o progresso que são inerentes a tais camadas teleológicas não seriam fortuitos, mas, segundo Husserl, fundados no aparecimento das coisas “elas mesmas”, em sua doação originária.

Da seleção de aspectos relevantes: um estudo sobre a compreensibilidade do significado não codificado

Início: 2018

A pesquisa proposta tem por objetivo fazer elucidações acerca do papel do conceito de relevância no escopo de um estudo semântico sobre a dependência contextual. De modo mais específico, podemos dizer que nos interessa lançar alguma luz sobre os fatores envolvidos na compreensibilidade do proferimento de uma inovação semântica (enquanto articulação não codificada de signos) no interior de um determinado contexto. Nosso recorte será o da exploração do embate entre duas importantes obras contemporâneas que tratam da relação entre relevância e contexto, a saber, Studies in the ways of words, de Paul Grice, e Relevance, Communication and Cognition, de Deirdre Wilson e Dan Sperber. Se Grice sustenta, por um lado, uma concepção de que contextos são tacitamente compartilhados e uma compreensão da relevância como máxima conversacional, Wilson e Sperber, por outro lado, trabalham com a concepção de que um contexto é um conjunto de premissas acionadas ad hoc para a interpretação de um proferimento (não sendo, pois, necessariamente tácitos) e com a ideia de que relevância é a estrutura fundamental no processamento humano de informação em geral. Ou seja, para estes últimos, a relevância de modo algum pode ser restringida ao posto de categoria pragmática (por oposição à semântica). Assumimos como questão norteadora de nosso exame a seguinte questão: em que medida a Teoria da Relevância, de Wilson e Sperber nos permite abordar mais satisfatoriamente a comunicabilidade de inovações semânticas do que o modelo proposto por Grice?

Hamlet e a filosofia

Início: 2018

A relação de Hamlet com a filosofia pode ser elaborada segundo duas abordagens distintas. A primeira segue uma visada histórica, baseada na pesquisa das referências que Shakespeare de fato integrou à peça; a segunda diz respeito à recepção da peça, com ênfase nas diversas leituras da tragédia feita por filósofos posteriores a Shakespeare. Na primeira etapa, ligada aos Estudos Renascentistas, privilegiarei a análise das referências da Antiguidade e do período inicial da modernidade usadas na concepção da tragédia. Três correntes filosóficas se destacam nessa análise: o estoicismo de Sêneca, o pensamento político de Maquiavel e o ceticismo de Montaigne. Já a abordagem da recepção da peça passará por comentários de Hegel, Schopenhauer, Nietzsche, Danto, entre outros autores que escreveram sobre Hamlet.

Personagem, enredo e experiência: análise de alguns exemplos atuais de recepção a narrativas

Início: 2018

O objetivo deste projeto é dar continuidade à pesquisa que desenvolvi desde a segunda metade de 2014, que tentou estabelecer parâmetros para análise de fenômenos contemporâneos de recepção a formas narrativas. A idéia ponto de partida, inspirada nos célebres ensaios de década de 1930 de Walter Benjamin, consiste em procurar, nas afinidades eletivas entre uma época e certas formas estéticas (quer sejam elas consideradas “arte” ou não por essa mesma época), indícios fortes do modo como são possíveis experiências naquelas condições históricas. Em torno deste ponto de partida foram agregados diversos autores que elaboraram reflexões sobre narrativa e/ou experiência, a saber, Paul Ricoeur, Frank Kermode, John Dewey, entre outros.  O projeto visa analisar a resposta a alguns fenômenos escolhidos, dentre os que se podem observar na atualidade, nos quais se mostram modalidades de recepção e interação com narrativas só possíveis nos dias de hoje.

Michel Foucault leitor de Nicolau Maquiavel: o lugar da filosofia política maquiaveliana na genealogia da governamentalidade

Início: 2017

Este projeto de pesquisa pretende acompanhar os desdobramentos da recepção do pensamento político de Nicolau Maquiavel no interior da genealogia da “governamentalidade” empreendida por Michel Foucault na segunda metade da década de 1970, bem como o lugar singular que a investigação foucaultiana atribuirá ao maquiavelismo na constelação do pensamento político renascentista, recusando a Maquiavel o duplo papel de autêntico teórico da guerra na sociedade civil e de primeiro teórico da arte de governar que emergiria no século XVI sob o nome de razão de Estado. Assim, pretendemos nos debruçar sobre os cursos ministrados por Foucault no Collège de France durante os anos letivos de 1976 e 1978, intitulados, respectivamente, Il faut défendre la société e Sécurité, territoire, population, para nos interrogarmos acerca da pertinência e do tipo de apropriação da obra maquiaveliana que está em curso em sua genealogia, – o que deverá nos levar, em contrapartida, a uma releitura d’O Príncipe de Maquiavel à luz das questões suscitadas pela interpretação de Foucault.

O trágico como princípio de contradição: a semântica do amor, da guerra e da harmonia na aurora do pensamento grego

Início: 2016

A proposta fundamental deste projeto de pesquisa consiste na realização de uma análise detida acerca de alguns dos primeiros textos da tradição do pensamento grego antigo que permitam (1) revelar como surgem neste pensamento seus aspectos tão caracteristicamente trágicos; (2) verificar a possibilidade de delimitar o trágico, a partir desses textos, como princípio e elemento de contradição, uma vez que parece exigir sempre a observância de uma tensão entre opostos que, não sendo mutuamente excludentes, são também necessariamente compostos; (3) demonstrar que a ideia trágica de contradição traduz-se na forma de uma literatura, tanto poética como filosófica, cujo teor trágico impõe às palavras a marca do impasse, do dilema, do paradoxo e da ambiguidade, conformando assim toda uma espécie de gênero literário que tem nessas mesmas marcas suas principais figuras de linguagem; (4) delinear, consequentemente, em que medida corresponde ao pensamento trágico um “idioma” que lhe é intrínseco e igualmente trágico; (5) desenvolver como esse referido idioma elabora toda uma semântica do trágico, uma semântica da contradição, da qual os termos guerra (pólemos), amor (éros) e harmonia (harmonía) são os signos e significados máximos; e (6) delimitar historicamente o quanto a consolidação de um pensamento e de uma literatura trágica ofereceu o antecedente necessário ao aparecimento da tragédia em sua forma dramática e teatral; confirmada essa relação histórica, encontrar-se-ia igualmente confirmada a principal hipótese que orienta esta pesquisa: que a tragédia é a tradução litúrgica, estética e artística de um pensamento e de uma cultura trágica estabelecidos ao longo dos primeiros séculos da literatura grega; a tragédia seria, assim, a tradução dramática e visível de toda uma concepção de vida e visão de mundo as mais constitutivas e distintivas dos primeiros tempos da poesia e filosofia gregas.

A arte da crítica: por uma estética aplicada ao teatro

Início: 2015

Este projeto tem quatro objetivos relativamente autônomos, mas interligados: (1) propiciar o estudo sistemático das principais referências teóricas no campo da crítica filosófica de peças teatrais, dentre os quais destacam-se G. W. F. Hegel, G. Lukács, W. Benjamin, T. Adorno, Peter Szondi e Jean-Pierre Sarrazac; (2) “aplicar” os frutos dessas leituras na produção de uma série de críticas teatrais/ensaios de peças apresentadas na temporada regular do Rio de Janeiro e em uma série de festivais de teatro Brasil afora, dentre os quais encontram-se a Mostra Internacional de Teatro de São Paulo (MIT-SP), o Festival de Curitiba e o Mirada (Santos), dentre outros; (3) desdobrar essa vertente mais teórica da pesquisa na criação de dramaturgias originais, a serem encenadas nos palcos do Rio de Janeiro e de outras cidades do Brasil; (4) publicar os frutos da pesquisa nos veículos adequados – os ensaios de “estética pura”, em revistas acadêmicas abertas ao diálogo entre a filosofia e o teatro, como a Viso e a Sala Preta; as críticas teatrais, ou ensaios de “estética aplicada”, nos veículos de maior circulação no meio teatral, como a Revista Questão de Crítica, o site Agora Crítica Teatral e o jornal O Globo; as dramaturgias originais, no formato de livros contendo os textos das peças produzidas, fotos da montagem e ensaios teóricos de crítica genética.

Edição e tradução dos livros V-VIII da Metafísica de Aristóteles e dos Comentários de Tomás de Aquino aos mesmos livros, acrescidas de notas explicativas, biográficas, bibliográficas e comentários

Início: 2015

A obra Metafísica de Aristóteles [322-384 a.C] é a mais importante especulação filosófica acerca do ser e da realidade sensível, apesar de sua alta elucubração mental. Amplamente comentada ao longo dos séculos por diferentes escolas de diferentes culturas e religiões, esta obra, sem dúvida, constitui um ícone para os estudos escolásticos e renascentistas, estendendo-se até os nossos dias a sua influência, importância e uso em diferentes setores do saber. Em especial, na escolástica do século XIII, a influência da filosofia islâmica, mediante os comentários de Avicena e Averroes aos livros da Metafísica de Aristóteles, fez despertar no Ocidente latino um maior interesse pelos estudos metafísicos, seja em razão da novidade e, muito mais por sua relação com os temas teológicos. Em meio a este rico debate metafísico entre diferentes culturas, destaca-se a pessoa de Tomás de Aquino [1225-1274 d.C] com os seus comentários a esta obra , pois seus comentários aos livros desta obra não eram eximidos de referências aos maiores comentaristas desta obra que pertenciam outra cultura e fé. Neste aspecto, os comentários de Tomás estabelecem-se como um verdadeiro compêndio de citações das ideias dos principais comentadores desta época. Com isto, ademais da riqueza original e própria do texto da Metafísica de Aristóteles, há, também, as relevantes contribuições para a historiografia, doxografia, filosofia e teologia acrescidas, a partir dos comentários de Tomás aos livros desta obra. Portanto, torna-se ainda mais eminente a leitura desta obra acrescida destes comentários.

A recepção de Lucrécio no pensamento renascentista: Maquiavel, Montaigne e Bruno

Início: 2013

Propõe-se neste projeto o exame do impacto da redescoberta do De rerum natura na literatura humanista; tanto do ponto de vista da forma (sua influência em um movimento cultural que se constituiu em primeiro lugar como uma revolução estética) quanto das ideias (da alma mortal ao prazer como soberano bem). Trata-se de analisar a presença da obra de Lucrécio nos textos filosóficos da protomodernidade, tendo por foco preferencial três autores que, além de emblemáticos na caracterização do Renascimento como período singular no bojo da tradição ocidental de pensamento, criaram obras decisivas para o seu posterior desenvolvimento: Maquiavel, Montaigne e Giordano Bruno.

A concepção schmittiana de nomos da terra e de Grossraum no âmbito de sua crítica à dominação planetária técnico-econômica

Início: 2012

A pesquisa pretende explicitar como na visão de Schmitt o eixo da despolitização liberal implica a transformação radical dos ordenamentos espaciais. A apropriação do espaço é o começo e o ato primitivo instaurador de todo e qualquer regramento jurídico. É o ato pelo qual literalmente se ordena um espaço, limita-se a um campo de ação. O direito é uma combinação de ordenamento e de enquadramento espacial (Ordnung und Ortnung), determinação de um campo de aplicação e de abrangência daquelas normas. Ou seja uma localização do âmbito de validade do regramento jurídico. Trata-se sempre já de um ordenamento normativo-espacial. Para Schmitt a noção grega de nomos comporta em si todos esses significados. O Direito Moderno, porém, sobretudo o direito em sua vertente positivista, ignora esse ato fundacional de inscrição do direito no espaço. Nomos não é completamente identificável a lei, pois se trata sobretudo de fazer novamente o direito retornar ao espaço como lugar, nomos e nemein, que implica a tomada da terra e inicio de todo e qualquer ordenamento jurídico. (Nomos, nahme, name). Isso traz algumas implicações conceituais que pretendo aprofundar, entre elas, a principal é de que não há nomos sem delimitação de lugar, sem um certo fechamento do campo de sua validade, pois o direito mantém necessariamente sua vinculação com o lugar, com um espaço próprio. Em contraposição a isso, o avanço do Direito Liberal, segundo Schmitt, implica uma Entortung (desterritorialização, deslocalização), o direito destacado de toda ordem concreta. Decorre daí: 1) a pretensão de uma extensão mundial das normas jurídicas e a possibilidade de intervenção planetária. Para Schmitt, existe um projeto cosmopolita que tem como finalidade romper todos os limites políticos, todos os limites nacionais, auto-determinação é de fato um programa anti-político levado a cabo pela economia, sobretudo pelo liberalismo, positivismo, formalismo jurídico e normativista. 2) Se a política tem uma ligação essencial.

Carl Schmitt contra o globalismo jurídico: a filosofia política do nomos da terra

Início: 2012

A pesquisa pretende explicitar como na visão de Schmitt o eixo da despolitização liberal implica a transformação radical dos ordenamentos espaciais. A apropriação do espaço é o ato primitivo instaurador de todo e qualquer regramento jurídico. É o ato pelo qual literalmente se ordena um espaço. O direito é uma combinação de ordenamento e de enquadramento espacial (Ordnung und Ortnung), determinação de um campo de aplicação e de abrangência normativos. Trata-se sempre já de um ordenamento normativo-espacial. Para Schmitt a noção grega de nomos comporta em si todos esses significados. O Direito Moderno, porém, sobretudo o direito em sua vertente positivista, ignora esse ato fundacional de inscrição do direito no espaço. A pesquisa pretende avaliar a extensão do diagnóstico schmittiano segundo o qual uma das características básicas do direito internacional contemporâneo foi ter se tornado puramente normativista, e ter construído uma representação vazia do espaço como âmbito de validade e aplicação de leis.

Edição trilíngue dos quatro primeiros livros da metafísica de aristóteles e bilíngue dos comentários de tomás de aquino a estes quatro livros, ambas as edições acrescidas de notas biográficas, bibliográficas e comentários

Início: 2011

Edição trilíngue dos 4 primeiros livros da Metafísica de Aristóteles e edição bilíngue dos comentários de Tomás de Aquino a estes 4 livros, acrescidos de notas e comentários.

Investigação em filosofia tomista: ‘de principio individuationis’, na escola tomista

Início: 2010

O projeto visa apresentar e analisar as propostas de interpretação do problema da individuação das substâncias corpóreas entre os Tomistas da Primeira e Segunda Escolástica, tendo como base a leitura e análise dos seus respectivos textos latinos e proposta de edição bilíngue para publicação em periódico especializado.

A economia política da vida nua em Giorgio Agamben ou o capitalismo como zoopolítica

Início: 2008

Em que medida a articulação entre econômico e político enfrenta desde o início uma certa resistência? Lendo Marx, vemos que ele aponta para Aristóteles como aquele que pensou pela primeira vez a articulação entre esses dois campos. A referência a Aristóteles é igualmente presente, mais recentemente, em Giorgio Agamben, que parte do texto de Aristóteles para se debruçar sobre a questão da biopolítica. A pergunta que conduz este projeto é: como duas dimensões originalmente tão distintas como a economia e a política podem se relacionar? Em última instância, como a economia se torna política? Ir a Aristóteles talvez nos permita entender essa questão com maior clareza e poder retornar a Agabem de outro modo. Para tanto será necessário retomar as relações entre economia e política em Aristóteles a partir da distinção entre zoé e bíos, que Agamben coloca como o fundamento a partir do qual se constitui isso que ele chama, seguindo nisso Foucault, de biopolítica. Há uma relação intrínseca entre o simples viver, isso que Agamben chama de vida nua, e a produção ilimitada de riqueza. O que nos permitiria avançar que o capitalismo corresponderia a esse modo de produção, a esse modo de economia política em que a vida nua, a zoé, e não o bíos, teria uma posição central. É nesse sentido que afirmaríamos que o capitalismo, enquanto instaurando um modo preciso de economia política, seria muito mais uma zoopolítica que um biopolítica.

Translatio studii: dimensões do medievo (história, letras, filosofia)

Início: 2007

Projeto vinculado ao núcleo homônimo, criado em 2007, cujo principal objetivo consiste em promover, de forma ampla, democrática, associativa e interdisciplinar, os estudos medievais no âmbito da Universidade Federal Fluminense e, por extensão, em nosso estado e país, fomentando a pesquisa, o intercâmbio e a formação de especialistas brasileiros nessa ampla área de conhecimentos.

Capitalismo e gozo: Freud, Marx e Lacan

Início: 2005

O projeto de pesquisa proposto parte de uma abordagem da teoria freudiana do laço social. Esse trabalho se encontra dentro de um projeto que se desenvolve atualmente no Grupo de Pesquisa Psicanálise, Discurso e Laço Social na Universidade Federal Fluminense do qual sou o atual líder. Dentro do escopo da pesquisa, proponho-me a abordar a teoria freudiana do laço social por seu viés econômico. Tratar-se-ia de buscar em Freud uma teoria econômica do laço social , o que, a meu ver, significaria a mesma coisa que buscar uma economia política em Freud, na medida em que tomo a expressão teoria econômica do laço social como equivalente à expressão economia política . A questão que me coloco seria: há uma economia política em Freud e, por extensão, também em Lacan? O que seria uma economia política psicanalítica? É esta questão que está em jogo neste projeto de pesquisa. O objetivo do projeto é pensar o capitalismo como um discurso que instaura uma determinada relação com o gozo, conceito extraído da psicanálise de Lacan. A idéia é tentar incluir na reflexão sobre o fenômeno econômico a dimensão pulsional descoberta por Freud. Em outras palavras, o econômico é um conceito de fronteira entre economia e psicanálise.

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O Programa de Pós-Graduação em Filosofia (PFI) integra o Instituto de Ciência Humanas e Filosofia (ICHF) da Universidade Federal Fluminense e oferece mestrado acadêmico na área de filosofia. O programa congrega dezoito docentes, entre membros permanentes e colaboradores, distribuídos em duas linhas de pesquisa: "Estética e filosofia da arte" e "História da filosofia". Os processos seletivos de ingresso ao mestrado têm lugar anualmente entre o primeiro e o segundo semestres letivos.
 
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